Flavia Penido

Escrevi esse texto a muitos anos a trás, sobre uma conversa materna sobre o piebaldismo, e hoje ele me enche de emoção por perceber como ele é dentro do entendimento sistêmico familiar de Bert Hellinger muito antes de ter feito a formação no IDESV.  Hoje relendo, vejo quanto eu já honrei a misturinha que sou de meus pais. E você honra as suas origens já?

Mamãe porque mesmo que você tem essas machinhas? mas uma conversa materna acontece.

Sempre que ela me faz essa pergunta, e fico em dúvida se devo dar a resposta científica, afinal eu amo as ciências!  Ou se devo dar a resposta mágica imaginária que toca meu coração. Me lembrei que ela está nessa idade em que vamos perdendo contato com esse mundo imaginário. Eles vão deixando de creer no coelhinho da Páscoa, e no Papai Noel, passam a compreender o Espirito Natalino, mas tem sempre uma perda insubstituível.

Eu amo as ciências, e também amo muito o mundo fantástico, a imaginação sem tem fronteiras, ela é a fonte de fogo que nos leva a fazer aquilo que creemos ser impossível no mundo real. Eu me pergunto se posso cultivar esse mundo na extraordinaria cabeçinha infantil dessa minha caçulinha.

foto (7) (600x800)
piebaldismo

Então mais uma vez eu faço a escolha:

-Ah, filha, quando eu estava lá pronta para vir ao mundo, eu senti que seria muito muito parecida fisicamente com a minha mãe, sua vovó querida. Sentia que dela herdaria um coração empático e selvagem, que não aceitaria autoritarismo, nem farsas e que seria sensível aos que estão ao meu redor. Então outra parte minha queria lembra que era filhinha desse pai sensível que me daria colo quando tudo parecesse muito injusto e beirando o insuportável, seu vovó Paulo. Então eu peguei as tintas que estavam ali e me pintei com as cores deles dois, foi uma mistura inusitada.

Sabe filha, essas cores no meu corpo são como marcas da vida, elas me permitem ser sempre a “flor da pele”.

Ela me fazem o favor de lembra sempre que as aparências enganam, que há muito mais beleza no interior de uma pessoa do que se pode imaginar ao olhar.

Elas me lembram de viver feliz nesse mundo com aquilo que tenho, mesmo quando tudo me empurra a querer sempre mais… mais peito, menos celulites, mais altura, menos rugas, essa lista nunca acaba.

Elas desde cedo funcionaram como um detector de imbecís também, com essas cores foi  muito fácil descobrir com quem valia a pena conhecer e passar o tempo junto. Me deram amizades e amores verdadeiros. Também aprendi com elas a não me expor para qualquer pessoa.

Essas cores me lembram de revisitar as memórias do corpo, e me dão o talento e a sensibilidade de acompanhar a caminhada terapeutica de meus clientes.

Essas cores me ensinaram a não desistir na primeira vez, se eu sei que me julgaram mal, sei que posso tentar novamente.

Me lembra também de escolher os livros lendo algum trecho no interior, nunca olhe somente a capa!

Essas cores me deram dores muitas vezes! Mas eu sou alguém melhor graças a elas!

Eu tive muitos sabores também, tive tantas coisas boas com elas que nem sei nomear, porque na vida o amor que sentimos nos deixa muitas vezes sem palavras.

A essa altura, quando terminei de divagar, ela já estava olhando os passarinhos, e cantando suas musicas, será que ela entende a minha história?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *