vossos filhos

Pais e filhos em Paz

Durante a semana mundial pela Paz, fui convidada mais uma vez para palestra em um evento aqui

em São José dos Campos.  Escolhi fazer um bate papo: Pais e filhos em Paz, sobre a educação para paz.

Comecei lembrando a todos que quando pensamos paz pensamos guerra. Nosso pensamento tem a forma singular de enquadrar, rotular, classificar.

Convido a todos vocês que lidam com crianças a começarem a olhar para elas sem o rótulo “criança”.

Ouçam as pessoas, a criaturinhas pequenas, mas inteiras que são, sem ouvir a mente que lhes rotula.

O titulo “meu filho”, também desumaniza aquele ser que veio a nós. Nossos filhos…eles passam por nós mas não nos pertencem. Se considero a eles como meus, posso tratá-los como meus?
posso então bater, porque são meus?

Mas na lida diária nos esquecemos de nossa tarefa e sentimos raiva, temos pressa, somos pressionados e pressionamos nossas crianças. Tratamos as crianças como nunca trataríamos um amigo.  Precisamos buscar novos ângulos, para que nossos esforços em não cairmos nos automatismos, e  aqueles padrões de comportamentos adquiridos lá atras tomem conta de nossas ações. RE-agimos ao invés de agirmos.

Quando nos distanciamos dos rótulos que os desumanizam , somos mais aptos a encará-los como seres inteiros, dignos de nosso respeito.

Para os adolescentes sugeriram o exemplo. E quando não estamos aptos a dar um bom exemplo, quando escorregamos nas escolhas da vida, o que podemos oferecer a eles eu pergunto?

A nossa mais profunda honestidade, por que somos assim feitos de diversas camadas, aquilo que queremos ser nem sempre somos.

A coerência, sim os adolescentes nos mostram facilmente, com toda clareza nossas incoerências, e por que somos quem somos, a coerência nos escapa, podemos então mais uma vez, mostra nossa mais profunda honestidade. Aceitamos e somos aceitos.

pais e filhos em paz, por uma forma de criar os filhos através de nós e não por nós mesmo.

Para que educamos?

foi a pergunta cedida por Ewaldo Rebello.

Educamos para que eles cresçam em potência, desenvolvam suas competências, saibam a que vieram e realizem suas tarefas com integridade, conectados com suas essências.

Sejamos o arco para que bem curvados lancemos nossos filhos através de nós o mais livre voo.

Deixo aqui o poema bem lembrado por um participante.

Do poeta Khalil Gibran

Vossos filhos não são vossos filhos

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável

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