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Tivemos um lindo parto pélvico aqui em São José dos Campos e por isso resolvemos fazer esse post esclarecedor. Você pode ler o relato no final desse post.

Se você faz parte dos 3% das mulheres que chegam ao final da gestação com o bebê pélvico, toca aqui e sinta-se abraçada, você também recebeu esse presente.

Nosso cenário obstétrico já não ajuda quem está com a gestação “certinha”, terminar com bebê pélvico então, é sentença de cesárea. Não deveria ser assim, saiba o problema maior não é o bebê estar sentado e sim os profissionais que não tem experiência ou não sabem atender esses tipos de partos. Muitos profissionais saem da faculdade sem ter atendido nenhum parto pélvico nem sequer aprenderam a fazer uma manobra excelente chamada versão cefálica externa.

Antes de aceitar uma sentença da cesárea saiba que há muitos passos a serem tomados antes! E mesmo ele ainda pode nascer pélvico. Então, lá vai uma lista de coisas para serem feitas:

1) Exercícios e posições que ajudam o bebê virar: gatinhar, deitar e ficar com o bumbum mais elevado.

2) Peça a ajuda de uma parteira ou doula experiente para ajudar com um rebozo;

3) Moxabustão ou acupuntura

4) Existem homeopatias que ajudam pergunte para seu médico, obstetriz ou E.O.;

5) Usar bolsa quente na parte baixa do ventre onde está o bumbum e bolsa de gelo na parte alta do ventre onde se encontra a cabeça, isso estimula o bebe a se mover na direção do calor.

6) Em um quarto escuro você usa uma lanterna de luz boa e coloca na parte baixa da barriga, aproveite para conversar com o bebe que ele pode virar que assim pode ser melhor para nascer.

7) Versão cefálica externa – Segundo Melania Amorim, a versão cefálica externa consiste na manobra de reposicionar o bebê que se encontra em apresentação pélvica, “virando-o” dentro da barriga através de movimentos manuais combinados com pressão no abdome materno. Era um procedimento relativamente comum na Obstetrícia do passado, mas durante as décadas de 70/80 sua popularidade caiu muito entre os obstetras, devido a alguns relatos e séries de caso demonstrando efeitos adversos. É por isso que muitos obstetras, ainda hoje, condenam o procedimento. Várias organizações recomendam que a VCE seja oferecida a todas as mulheres com apresentação pélvica a termo, como por exemplo o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), a Royal Dutch Organization for Midwives (KNOV) e a Dutch Society for Obstetrics and Gynaecology (NVOG).

Imagem de versão cefálica.

Imagem de versão cefálica.

Se ainda assim, nada funcionar e você realmente desejar um parto pélvico (foi o meu caso), procure um profissional competente que saiba acompanhar esse tipo de parto, lembre-se que a posição pélvica não é uma anormalidade, mas sim uma variação. Os ricos de um parto pélvico, se bem conduzido por profissional experiente e se forem levados em consideração fatores de risco, não são muito maiores que de um bebê cefálico, o risco é levemente aumentado para o bebê (0,6% em países com baixa mortalidade neonatal e de 2,5% em países com alta mortalidade neonatal) Para um parto pélvico, recomenda-se que o profissional pratique “hands off”, ou seja, quanto mais expontâneo for o parto, melhores serão os resultados.

Links: Relato do meu parto pélvico http://eraumaveztres.blogspot.com.br/2008/08/o-nascimento-de-pedro-gabriel-30032003.html

https://www.facebook.com/notes/ana-cristina-duarte/m%C3%A3es-m%C3%A9dicos-e-parto-p%C3%A9lvicos/488032857912231?fref=nf

http://www.breechbirth.org.uk/

http://www.aims.org.uk/Journal/Vol10No3/handOffbreech.htm

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-72032000000800008&script=sci_arttext

vídeos: https://www.youtube.com/watch?v=Z59XeI5PTTU

http://www.homebirth.net.au/2010/01/frank-breech-video.html

 

Atualmente se considera que a pratica mais adequada é posição de quatro e hands off:

 

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Por Debora Regina Magalhães Diniz

Debora Regina é doula e coordenadora da Roda bebedubem São José dos Campos e Jacareí

e teve seu primeiro de filho de parto pélvico a muitos anos atras e todos passam bem obrigada

 

Relato de parto pélvico

 

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Por se tratar de um parto pélvico natural, acho importante contar como chegamos até lá. Comecei o pré-natal com a médica que até então me atendia como ginecologista e, como a maioria das mulheres, sabia apenas que queria um parto normal. Depois que comecei a ler sobre parto humanizado (o primeiro foi o “Nascer Sorrindo” do Leboyer, que me impactou muitíssimo) e a participar das rodas Bebedubem promovidas pela F. P. e D.M., fiz uma listinha de perguntas para a próxima consulta. A primeira resposta da médica já foi suficientemente elucidativa: 80% das suas pacientes faziam cesáreas. Grata pelos serviços prestados até então e pela sua sinceridade na resposta, confirmei o que a minha intuição já me dizia, não seria ela que me ajudaria a parir minha filha, e não voltei mais. Depois fui a outro médico, tranquilo e bem mais consciente da importância do parto natural, parecia uma opção mais alinhada com o que eu procurava, mas no fundo eu sabia que ainda não era por ali.

Meu marido falava muito em parto domiciliar, mas minha casa, além de ser na zona rural, distante de qualquer hospital, estava em obras, sem condição de receber um recém-nascido. Então enquanto não houvesse sinais claros de que tudo estaria em ordem nas últimas semanas da gravidez (o que de fato não aconteceu!), planejar um parto domiciliar como primeira opção não me deixaria tranquila. Já começava a ficar um tanto ansiosa com a indefinição quando participei de uma roda justamente sobre mitos em indicações de cesáreas, na qual estava presente a Dra. R. A empatia foi imediata, gostei das suas colocações e de seu jeito doce e seguro de falar. Peguei um cartãozinho no final da roda e marquei uma consulta.

Já tinha decido ficar com ela quando, no final da 31a semana, o ultrassom mostrou que a minha bebê estava pélvica (sentada). “Já marcou a cesárea? Ah, depois da 32a semana não vira mais, se a sua médica não marcou ainda, com certeza marcará na próxima consulta, bebê pélvico só pode nascer de cesárea” disse a “desajeitada” (para dizer o mínimo…) médica do ultrassom. Saí da clínica chorando, abatida mesmo. Contei pra minha mãe e o “trololó” foi o mesmo: “A neta da minha amiga também está sentada e elas já marcaram a cesárea, todo mundo faz isso!”. Respondi apenas que “sinto muito por TODO MUNDO, mas agendar cesárea é uma coisa que eu não vou fazer nesta vida”. Até perceber, um tanto tardiamente, que não deveria contar praqualquer um que a minha bebê estava sentada, ouvi muitos “faz cesárea então, ué, o que é que tem?” e me limitava a um vago “pois é, vamos ver…”. Na consulta seguinte a Dra. R. me disse o que eu já tinha ouvido de outras pessoas com quem conversei depois do ultrassom, que não era bem assim, que até a 36a semana o bebê podia virar sozinho e que havia algumas coisas que podíamos tentar: acupuntura, exercícios, versão cefálica… “Mas em último caso, se não virar, eu não estou indicando cesárea, não, topo fazer o parto natural”, ela disse com a mesma calma de sempre. Explicou que já tinha feito partos pélvicos de emergência e que tinha participado de um curso com um médico alemão que vinha fazendo partos pélvicos com grande sucesso com as gestantes em quatro apoios, que nessa posição era mais seguro. “Uau! Se você topa, eu também topo!”.

Sinceramente não sei explicar porque não tive medo, eu sou em geral excessivamente preocupada com tudo. Mas dessa vez uma confiança se instalou no meu coração. Ainda assim, tentei conversar com a minha bebê pedindo pra ela virar, fiz moxabustão (uma técnica chinesa de estimulação de certos pontos dos meridianos) com ajuda do meu marido e exercícios ensinados pela minha professora de yoga (mas não tanto nem exatamente do jeito que deveria, por causa da obra em casa). Um dia tive a oportunidade de uma enfermeira obstetra muito experiente, a pedido da F.P., avaliar se minha bebê ainda estava sentada e, após apalpar minha barriga, ela confirmou que sim. Então perguntou o nome da bebê, chegou pertinho da barriga e disse “Beatriz, venha COMO PREFERIR. Sua mãe te receberá com muito amor”. Fiquei surpresa, mas emocionada e confortada com suas palavras. Marquei uma consulta com uma acunpunturista que tinha ajudado o bebê de uma amiga virar. Na madrugada antes dessa consulta, na 38a semana, a bolsa rompeu. Ela preferiu nascer sentada.

As contrações começaram de manhã cedo, bem fracas, mas desde o início a cada 3 minutos, um reloginho. Mandei SMS pra Dr. R. avisando do rompimento da bolsa e na hora do almoço fui até o consultório dela pra avaliar a dilatação. Quase nada, 1 cm, seria melhor eu aguardar em casa até às 20 h, quando de qualquer forma precisaria ir pro hospital receber o antibiótico na veia (por causa da bolsa rota). Na parte da tarde as contrações já estavam fortes, sempre a cada 3 minutos, vomitei bastante e quase não consegui comer, o que me deixou fraca. Às 19h pedi pra ir logo pro hospital e segui pra lá, acompanhada por meu marido e minha cunhada, querida e experiente amiga (já atuou como doula e pariu dois de seus três filhos em casa). A Dra. R. chegou em seguida e, assim que conseguimos uma sala, fez um exame de toque: 3 cm. Foi devastador, pelo ritmo e força das contrações eu esperava estar bem mais avançada no trabalho de parto. Pensei que não ia conseguir, não por ser um parto pélvico, mas pela demora da dilatação (que depois pensando, nem era tão demorada em comparação com outros partos) e por me sentir tão fraca. Apesar dessa quase certeza de que iria acabar no centro cirúrgico, estava decidida a ir até o final das minhas forças. Às vezes a gente tem mais força do que imagina.

A água quente e as massagens feitas por mãos que a estas alturas eu não sabia direito de quem eram traziam um grande alívio.

Nem sei em que momento tirei toda a roupa e fiquei a maior parte do tempo na banheira, gentilmente levada pro hospital pela Dra. R. A água quente e as massagens feitas por mãos que a estas alturas eu não sabia direito de quem eram traziam um grande alívio. Às vezes a T., obstetriz, vinha medir os batimentos do bebê e me tranquilizava com doçura, “está tudo bem com ela”. Segurava forte em outras mãos, talvez em nenhum outro momento da minha vida o contato tenha sido tão importante. Cheguei a sugerir pra minha cunhada: “e se me dessem só um pouquinho de anestesia?”. Ela, carinhosa mas firme, disse que poderia atrapalhar o trabalho de parto e eu não pedi mais. Sem conseguir abrir mão da minha racionalidade, ansiei também por mais um exame de toque, queria saber a quantas andava a dilatação, como a F. apropriadamente comentou depois, pra tentar “controlar o incontrolável”. Mas a Dra. R., muito comprometida com o parto natural, achava melhor não fazer outro toque naquele momento, creio que por causa da bolsa rota e pra evitar que eu desanimasse se ainda não estivesse próximo dos 10 cm.

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Por volta das 2:30 h da manhã, comecei a fazer um gemido diferente, absolutamente involuntário, durante as contrações, baixo mas bastante animal. Aí sim fizemos o terceiro e último toque: dilatação total! Ufa! Fui pra cama, na posição de quatro apoios, com travesseiros ajudando a amparar meu tórax. Algumas poucas contrações depois, senti saírem as pernas e a bundinha da Beatriz. Lembro bem da voz tranquila e confortante da Dra. R. me dizendo que estávamos indo muito bem, pra continuar assim. Estes certamente foram os minutos mais tensos, mas felizmente logo veio a cabecinha e o turbilhão de emoções que se seguiram.

A Dra. R. colocou por alguns segundos um tubo de ar próximo do rostinho da Beatriz pra aumentar a oxigenação e imediatamente a colocou nos meus braços. Deitei. Apoiada no meu peito, ela parou de chorar e, com olhos muito abertos, me olhou longamente quietinha, me lambeu. Ela nasceu perfeita, linda, saudável e pudemos nos reconhecer e sentir nestes primeiros momentos preciosos junto com meu marido, plenos de ternura e gratidão.

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Tempos depois fiquei sabendo que infelizmente a neta da tal amiga da minha mãe, que teve sua cesárea agendada para apenas dois dias após o parto da Beatriz, ficou mais de uma semana na UTI  por insuficiência respiratória. Podia ter sido o contrário? Possivelmente sim, acredito que nenhum nascimento é livre de riscos. Mas ela provavelmente não ouviu ninguém a recriminando pela escolha que fez, como eu certamente teria ouvido se algo não tivesse ido bem no parto da minha filha. Talvez essa seja a única segurança real que a cesárea garante, a de que, ao fazer o que “todo mundo” faz, gestante e médico não serão recriminados se qualquer coisa não sair como esperado. Enfim, não posso dizer que todo parto pélvico será bem sucedido como foi o da Beatriz, ela nasceu pequena (2,5 kg) e isso provavelmente ajudou.

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Mas tenho um sentimento claro no meu coração de que, no nosso caso, o parto natural foi a melhor coisa pra ela e pra mim. Serei eternamente grata às mulheres da Roda Bebedubem, em especial à F. e D., e à R. M., por generosamente compartilharem suas experiências, preciosas fontes de informação e inspiração, à Dra. R. por ter tido clareza, coragem e competência para nos dar a incrível oportunidade de viver tudo isso e ao meu marido e minha cunhada, pelo carinhoso apoio antes, durante e após o nascimento da minha filha

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